O seleccionador de Angola, Oliveira Gonçalves, que ocupa este cargo há 5 anos, sente-se um técnico preveligiado, pois conhece como ninguém o Futebol do seu país e entre 1999 e 2003 comandou todos os escalões de formação: Sub-15, Sub-17, Sub-18, Sub-20 e Sub-23.

Durante esta "estádia" como coordenador da formação de Angola, o maior feito de Oliveira Gonçalves foi levar os Sub-20 ao Campeonato do Mundo da Argentina, em 2001. No país das "pampas", os "palanquinhas" ganharam o Grupo D, sendo depois eliminados pela Noruega, nos Oitavos-de-Final.
Ao ser anunciado como seleccionador da formação principal, em 2004, o treinador angolano prometeu muito trabalho e algumas "conquistas". E a promessa foi cumprida, pois Oliveira Gonçalves e os seus jogadores trabalharam árduamente e conseguiram várias "conquistas", sendo a maior, sem sombra de qualquer dúvida, a ida pela primeira vez a um Campeonato Mundial de Séniores.
Este feito aconteceu em 2006 e teve grande impacto não só em África como também em todos os restantes países do Mundo, e fez com que a nação angolana ficasse mais conhecida, pois até essa altura quase ninguém sabia o que era Angola.
Para exemplificar este facto, Oliveira Gonçalves contou um episódio curioso:
"Uma vez partilhei o quarto com um soviético e disse-lhe que Angola era um dos estados dos EUA e ele acreditou! Agora, especialmente depois da participação de Angola no Mundial, todos sabem onde fica."O segredo do sucesso parece ser a cega confiança que o seleccionador tem em alguns dos seus jogadores. Um bom exemplo disso é o facto de Lama (Guarda-Redes do Petro de Luanda), Gilberto (Médio do Al-ahly) e Mendonça (Avançado do E. Amadora, por empréstimo do Belenenses) marcarem presença nas convocatórias desde 1999.
Enquanto uns viajam pelo Mundo à caça de talentos, Oliveira Gonçalves não o faz, pois tem uma "equipa" a trabalhar para si, as representações diplomáticas. Ou seja, se um jogador consegue realizar boas e regulares exibições num país estrangeiro, a embaixada de Angola nesse país informa a Federação que existe um atleta com fortes possibilidades de integrar os trabalhos da Selecção.
"É um esforço de equipa, com todos a disponibilizarem-se para ajudar o futebol e a selecção do seu país", explicou o seleccionador.
Por
João Miguel Pereira, jornalista "Sport Blog"